A situação era a seguinte: um velho senhor andava pelas ruas cambaleante e ainda sem força nenhuma a cada novo passo que dava. Via-se claramente que aquele senhor que não conseguia erguer suas pernas e perambulava por entre os limites da calçada não estava bêbado.
O tempo foi quem havia feito aquilo com o senhor.
Confesso que essa situação me deixou perplexo porque enquanto o via, comecei a pensar em como seria a vida daquele homem tomado pela idade. De onde ele tirava a força para levantar da cama todo dia, como ele se sentia ao perceber que a única coisa que o mantinha firme no chão era a sola de seu chinelo, já que a vida consumiu os músculos de suas pernas?
Outra coisa que me tomou o pensamento foi o fato de que todas as pessoas que dividiam a calçada com o senhor sabiam que não seriam capazes de ajudar caso ele esgotasse totalmente sua pouca vitalidade e acabasse caindo.
Como somos frágeis frente as fraquezas dos outros.
Não temos uma palavra ou mesmo um gesto de conforto para dar às pessoas na maioria das vezes e o pior de tudo que é não podemos cobrar isso dos outros.
Alguns cantos de nosso ser já foram consumidos pelo tempo e pelas experiências, como as frágeis pernas do senhor andarilho. Esses cantos necessitam de ajuda, gritam por um auxílio, por qualquer que seja, mas as pessoas não saberiam como afagar essa dor. Não que elas não quisessem, elas não sabem, simplesmente.
Acredito que seja isso que tenha deixado as pessoas tão duras hoje em dia. |  | |