| 16/03/2010 05:59:06 | ||||||||
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Estive naquele encontro, representando o Rio Grande do Sul, como Oficineira de Teatro a convite da Secretaria de Estado da Cultura, e verifiquei de perto que “estar no Uruguai foi cantar alto e forte ouvindo o som das respostas”. Conforme Mônica Kabregu, artista plástica uruguaia e idealizadora destes encontros, “el intercambio cultural es la base Del conocimento de los pueblos. Cuanto mas intensos sean los esfuerzos que hagamos em esse âmbito, mas rápida, natural y eficaz será la integracion econômica.” Quando no Uruguai, naquela oportunidade, consegui alinhavar, representando o Sr. Prefeito Pedro Bertolucci, com a Intendência de Maldonado, nossa IRMANDADE, que foi se consolidando, a partir daquele alinhavo e, um ano depois, costurado e já vestindo nossas cidades irmãs. Era a 2ª SEMANA DE INTEGRAÇÃO CULTURAL BRASIL URUGUAI. Participar deste encontro em Gramado foi gratificante, pois convivi com pessoas que respeitam a cultura e a arte, bem como todas as formas de manifestação humana, feita com amor e dignidade. Integração Cultural representa que a cultura não é patrimônio que precisa render interesses financeiros, mas se faz com respeito aos conhecimentos e vivências das pessoas entre si. Gramado recebeu mais de 50 artistas vindos do Uruguai, em duas delegações, entre 3 e 8 de maio de 1994: uma pelo Ministério de Relações Exteriores do Uruguai, envolvendo uma programação especial, e outra, da Intendências de Maldonado, para a integração com Gramado, nos atos de IRMANDADE. Tudo agenciado e animado pelo Cônsul Geral do Uruguai em Porto Alegre, Federico Xiviller Vila, o grande responsável pela concretização deste evento. Em 3 dias foi mostrado para gramadenses e visitantes, o que acontecia com a arte no Mercosul e todos participaram deste encontro histórico. Todos os trabalhos e apresentações foram abertos ao público pela Prefeitura, oferecendo mais uma oportunidade cultural. O Centro Municipal de Cultura foi ocupado por exposições históricas e artísticas dos dois países. Durante todos os dias, comissões técnicas de Gramado e Maldonado, Consulado do Uruguai e Secretaria de Estado para Assuntos Internacionais do RS, trabalharam com projetos de intercâmbio técnico-científico, turístico e cultural, em reuniões fechadas, sob a coordenação da Secretaria municipal de Turismo, tendo a frente Luciano Peccin e do Gabinete do Prefeito. Todo o evento foi franqueado ao público para maior convívio. Não foi fácil organizar um encontro cultural deste porte, sem prática nenhuma. Mas a gente precisa tomar um “banho de integração” de vez em quando !... As oficinas trabalharam a dança, o canto, o teatro, artes visuais e literatura. Os debates ( charlas ) culturais no Centro de Cultura fomentaram a troca de idéias e experiências. Um turismo que respeite o patrimônio cultural dos povos, formativos de nossa cidadania e da cidadania de tantos outros povos. Um direito de ter identidade e de exercer esta identidade, livre de opressões e de interesse comerciais. Turismo Cultural em sua essência maior. Ao lado de Maldonado, terra irmã, naquela época sonhamos com um intercâmbio cultural e comercial que pouco andou. Mas mesmo assim, foi dado um grande passo à frente naquele encontro. No dia 5 de maio de 1994, às 20 horas, no Auditório Elisabeth Rosenfeld, foi assinada a Carta de Intenções entre Gramado e Maldonado, em ato solene que marcou a abertura oficial da 2ª SEMANA DE INTEGRAÇÃO CULTURAL e que trouxe tantos momentos especiais. Fazem alguns anos que perdemos Don Domingo Burgueño Miguel, o Intendente de Maldonado que realizou a IRMANDADE, e ele foi um dos grandes nomes deste gesto educado. Mas não perdemos a história. Muitas foram as visitas oficiais de Gramado em Punta Del Este e Maldonado e muitas as vindas da Intendência de lá para cá. O intercâmbio cultural entre países vale pelos discursos de paz. As Irmandades, vistas hoje como possibilidades de permutas técnico-científicas, turísticas e sociais, comerciais e empresariais, são muito mais... São a possibilidade de conviver saudável entre pessoas que, mesmo estando em posições geográficas e sociais diferentes no mapa mundi, podem e sabem conviver numa integração que só a cultura popular pode proporcionar. Quem sabe a gente começa tudo de novo e retoma estes amigos distantes. Seria muito bom se esta porta cultural reabrisse para que outras pessoas, artistas e intelectuais, empresários e políticos, todos pudessem retomar os convívios. “Estos contactos son muy necessários y no debem dejar que mueram em el tiempo y la distancia.” ( Waschinton Feble, Madonado ). Obs. Mais informações desta Irmandade no Jornal de Gramado dos meses de janeiro de 1993 e de março a abril de 1994, que deu cobertura aos eventos. |
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